Dia do Migrante é instaurado por Zé Turin

Dia do Migrante é instaurado por Zé Turin
Dia do Migrante é instaurado por Zé Turin

O vereador Zé Turin, de São Paulo, oficializou através de um projeto de lei, a instituição do Dia do Migrante, que já é comemorado nacionalmente no dia 19 de junho.

Conheça os Projetos de Lei do Vereador Zé Turin

O vereador justificou a necessidade de aprovação do projeto de lei afirmando que a migração é um movimento comum no Brasil, principalmente por causa da grande extensão do país e que, devido a essa peculiaridade, grande parte do território Brasileiro foi ocupado por meio de movimentos migratórios.

Sendo que, o primeiro grande fluxo ocorreu ainda no século XVI, quando criadores de gado do litoral nordestino partiram da zona litorânea do nordeste rumo ao Sertão, atraídos pela expansão da pecuária.

Já nos séculos XVII e XVIII, as regiões mineradoras dos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, atraíram nordestinos e paulistas em busca de praticar a extração de pedras preciosas.

No século XIX, temos migrações para São Paulo, principalmente para o interior paulista, em busca de ajudar na produção de café, logo no inicio do que se tornaria a política “café-com-leite”. Além disso, também no século XIX, muitos nordestinos se deslocaram para a Amazônia, em busca de trabalhos relacionados a extração do látex, que são intensificados depois das secas mais intensas do século XX.

A partir do novo século, diante de uma das piores secas na região nordeste, com o crescimento da miséria e fome nesta parte do país, aumenta o êxodo rural. O que torna os centros urbanos mais fortes e populosos.

Ainda como justificativa, do projeto de lei, o vereador afirmou que que o migrante é aquele que por motivos pessoais, profissionais ou de sobrevivência, procura outros locais para desenvolver suas atividades.

Para finalizar, o vereador ainda afirma, dentro do projeto de lei, que praticamente todos nós em alguma fase de nossas vidas fomos migrantes ao mudarmos de cidade ou de estado.

O projeto de lei que homenageia essas pessoas com o Dia do Migrante foi aprovado em 06 de julho de 2018, na capital paulista.

 

Migração Nordestina para Santo Amaro

No ínicio do século XX, mais precisamente entre 1920 e 1980, o fluxo de migrantes nordestinos em busca de melhores condições de vida foi muito alto. Estima-se que, apenas na década de 1970, mais de 3,2 milhões de pessoas migraram da região para São Paulo, até então conhecida como a terra das oportunidades.

Existem dois marcos muito importantes quando se trata desta migração da região nordeste para São Paulo, sendo que, de 1920 à 1950 a transição foi essencialmente para áreas interioranas, para trabalhar como mão de obra essencialmente rural. Neste período, as localidades mais ocupadas foram os municípios ao noroeste do estado devido a produção de café algodão, além de Franca e Ribeirão Preto, graças a produção intensa de cana-de-açúcar para a fabricação de álcool.

Já entre 1950 à 1980, a capital paulista foi a principal localidade ocupada pelos nordestinos. Isso ocorreu graças às promessas de oportunidades nas industrias que cresceram e se desenvolveram durante o século passado. Tanto São Paulo, quanto o Rio de Janeiro, se tornaram os principais polos industriais brasileiros, tendo atraído muitas pessoas movidas à melhorar suas vidas através de novas oportunidades de emprego, sendo elas principalmente nas fábricas que forneciam novas chances de recomeçar a vida.

Em São Paulo, muitos dos migrantes chegavam no atual “Museu da Imigração”, que durante o século XX funcionava como uma hospedaria para todos os tipos de migrantes e imigrantes. Porém, após estabelecidos na cidade, muitos dos migrantes forma viver em áreas mais periféricas da cidade, sendo que, as áreas mais ocupadas foram os bairros de São Miguel Paulista (na zona leste) e Santo Amaro (na zona sul).

Santo Amaro, fundado em 1552, quando começou a receber migrantes nordestinos com tamanha intensidade, já havia passado por muitas fases, tendo sido aldeia, freguesia, vila, província, município e, por fim se tornou bairro. No século XIX, o local recebeu uma grande leva de imigrantes vindos da Alemanha, tendo uma das maiores colonias desta origem na cidade.

Porém, foi na metade do século passado que Santo Amaro começou a receber migrantes nordestinos. Foi já como bairro, que Santo Amaro começou a receber grandes indústrias, sobretudo as de autopeças devido à vinda da indústria automobilística para São Paulo.

No final do século XX, mais precisamente entre as décadas de 1980 e 1990, houve uma redução considerável da migração, pois as oportunidades estavam saturadas e a cidade já não comportava, nem oferecia tantas oportunidades de emprego.